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Resistência à insulina gera disfunção
erétil em obesos, aponta dissertação
Estudo revela ainda que tratamento
com a
substância metformina restaura a sensibilidade
Que
a obesidade desencadeia vários fatores de risco que, juntos,
podem causar a disfunção erétil – doença que atinge boa parte
da população masculina, principalmente em idades mais avançadas
– já é consenso nos estudos sobre o assunto. O que a pesquisa
de mestrado conduzida na Faculdade de Ciências Médicas (FCM)
pelo farmacêutico Fábio Henrique da Silva apontou é que apenas
um dos fatores, a resistência à insulina associada à obesidade,
pode ocasionar a impotência sexual. O estudo feito com camundongos
obesos tratados com dieta hiperlipídica no Laboratório de
Inflamação e Cardiovascular, do Departamento de Farmacologia,
revelou ainda que o tratamento com a substância metformina
restaura a sensibilidade à insulina nestes animais e, consequentemente,
as alterações na função.
A obesidade, explica Silva,
é considerada um importante fator de risco para o surgimento
não só de resistência à insulina, como também de dislipidemia
ou aumento de colesterol, diabetes tipo 2, hipertensão arterial
e hipogonadismo (redução dos níveis testosterona). Todos esses
são fatores de risco podem atuar de maneira sinérgica nas
alterações da função erétil. Neste sentido, o estudo conduzido
pelo farmacêutico sob orientação do professor Edson Antunes
investigou, justamente, o papel da resistência à insulina
associada à obesidade na fisiopatologia da impotência sexual.
“É bom salientar que a obesidade,
principalmente a abdominal, contribui para o desenvolvimento
de resistência à insulina, altamente prevalente em homens
com disfunção erétil e fortemente associada a alterações na
via intracelular de sinalização do óxido nítrico. Por isso,
decidimos investigar as alterações fisiopatológicas no corpo
dos camundongos”, ressalta Silva. Em geral, a disfunção sexual
de ordem física tem como causa a baixa produção do hormônio
testosterona. Pode ocorrer também em função de doenças como
diabetes e alcoolismo, além de ser provocada pela ingestão
de determinados medicamentos. No caso da resistência à insulina
associada à obesidade, fator até então desconhecido, a hipótese
de Fábio Silva é que o quadro pode prejudicar a função erétil
por reduzir a biodisponibilidade de óxido nítrico. Esse é
o principal neurotransmissor de um sistema de sinalização
intracelular, que atua promovendo relaxamento da musculatura
lisa do corpo cavernoso e, consequentemente, a ereção peniana.
“O mais incrível foi que
o tratamento com o sensibilizador de insulina, metformina,
restaurou a função nos camundongos. Como o peso deles se manteve
o mesmo durante todo o estudo, podemos sugerir que a resistência
à insulina é importante para o desenvolvimento da disfunção
erétil, e não apenas o estado de obesidade sozinho”.
Para chegar aos resultados,
num primeiro momento os camundongos foram tratados com dieta
hiperlipídica por 10 semanas. Após esse período, os camundongos
apresentaram aumento do peso corporal, dos níveis séricos
de colesterol total e LDL, além do quadro de resistência à
insulina. Os pesquisadores também avaliaram o relaxamento
do tecido erétil in vitro e mediram a pressão intracavernosa
– aquela que ocorre durante a ereção – dos camundongos
in vivo.
Foi nesta etapa que os resultados
revelaram a resistência à insulina associada à obesidade como
causa das alterações na via óxido nítrico/GMPc, ocasionando
a disfunção erétil. Na segunda etapa, os animais receberam
tratamento com o sensibilizador de insulina, metformina, por
14 dias. “O tratamento com metformina reverteu o quadro. Daí
as conclusões do estudo”.
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■ Publicações
Artigo: Toque
HA, Silva FH, Calixto MC, Lintomen L, Schenka AA, Saad MJ,
Zanesco A, Antunes E. High-fat diet associated with obesity
induces impairment of mouse corpus cavernosum responses. BJU
Int. 2011 May;107(10):1628-34.
Dissertação: “Caracterização da disfunção
erétil em camundongos obesos tratados com dieta hiperlipídica”
Autor: Fábio Henrique da Silva
Orientador: Edson Antunes
Unidade: Faculdade de Ciências Médicas (FCM)
Financiamento: Capes
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