| |
Tecnologias para a sociedade
Pesquisas desenvolvidas na Universidade
abrangem
amplos setores e geram produtos para a sociedade
ADRIANA
ARRUDA
Especial para o JU
Formar
alunos que venham a atuar com destaque em diversas áreas da
sociedade faz parte da missão da Universidade. Todavia, além
dos milhares de graduados procedentes da Unicamp a cada ano,
outro resultado tangível da influência do trabalho na academia
é a utilização de tecnologias originadas da pesquisa universitária
em benefício da sociedade.
Entre os casos de grande
êxito da Unicamp está uma tecnologia conhecida como Low Trans,
utilizada hoje pela Cargill na substituição da gordura trans
em biscoitos e outros produtos. A Low Trans é resultado da
pesquisa da professora Lireny Aparecida Guaraldo Gonçalves
e do pesquisador Renato Grimaldi, ambos da Faculdade de Engenharia
de Alimentos (FEA). Desenvolvida em parceria com a empresa,
por meio de um projeto colaborativo realizado na Universidade,
a tecnologia foi licenciada com exclusividade e representa
uma resposta rápida para uma demanda: a substituição da gordura
trans sem perda de qualidade do produto ou alteração integral
do processo de produção.
“Nosso desafio foi deixar
os alimentos livres de gorduras trans e de saturados e, ao
mesmo tempo, manter toda a infraestrutura da empresa”, explica
Lireny. De acordo com a docente, a equipe utilizou matérias-primas
adequadas e alterou a cristalização dos biscoitos. “A indústria
não fez um investimento alto para modificar a linha e conseguimos
implementar a Low Trans de maneira ideal, sem muitas alterações”,
afirma a professora.
Se, para a empresa, a aplicação
trouxe resultados imediatos, com poucas adaptações na produção
– a Cargill já internacionalizou a tecnologia para o Chile
e Argentina –, para o consumidor final, os benefícios são
claros: um produto mais saudável, que não possui gordura trans
ou saturados, elementos prejudiciais à saúde. “Para nós, é
uma satisfação trabalhar com a nutrição humana e representar
a saúde do dia a dia”, expressa Lireny.
Outra tecnologia de impacto
importante, neste caso ambiental, é a desenvolvida pelo professor
Oswaldo Luiz Alves, do Instituto de Química (IQ). A tecnologia
é voltada para a remediação de fluidos de indústrias papeleiras
e têxteis. De acordo com Alves, normalmente, essas indústrias
utilizam grande quantidade de corantes e há a necessidade
de eliminar a coloração desses efluentes antes de lançá-los
ao rio. “A tecnologia desenvolvida permite essa descoloração
e não causa alterações significativas nas propriedades de
sorção”, afirma.
Resposta para um problema
ambiental, a pesquisa é, de acordo com o professor, fruto
da parceria de trabalho com o aluno Odair Pastor Ferreira,
hoje coordenador de pesquisa na Contech, empresa que licenciou
a tecnologia e a comercializa desde o começo do ano. Para
o professor, a Agência de Inovação Inova Unicamp teve papel
fundamental no processo que levou a tecnologia da Universidade
para o mercado: “Trata-se de um percurso clássico: tese, patente,
licenciamento e absorção pelo mercado. A Inova foi muito importante
em todo o processo de depósito da patente e negociação com
a empresa. Além disso, a regulamentação que temos dentro da
Universidade permite que tenhamos um envolvimento profícuo
com o setor produtivo”, acrescenta.
A utilização de outra tecnologia
desenvolvida na Unicamp – e disponível no mercado – pode ser
de grande valor na saúde neonatal. O Kit Surdez, comercializado
para a empresa DLE (Diagnósticos Laboratoriais Especializados
Ltda), é resultado do trabalho da professora Edi Lúcia Sartorato,
do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG).
A docente recebeu o Prêmio Governador do Estado no ano de
2001 em razão desta pesquisa.
Segundo a professora Edi,
o diferencial de sua tecnologia frente ao teste do pezinho
convencional é que, enquanto o exame convencional abrange
apenas quatro doenças – fenilcetonúria, hipotiroidismo congênito,
fibrosa cística e anemia falciforme –, o kit detecta uma mutação
que, em dose dupla, é a principal causa da surdez genética.
De acordo com o coordenador do departamento de relacionamento
e marketing da DLE, Paulo Abrantes, esse procedimento pode
ser extremamente benéfico para o recém-nascido. “O diagnóstico
da surdez antes dos três meses de idade possibilita o tratamento
especializado, minimizando as consequências sobre a comunicação
verbal e o aprendizado da criança”.
A professora Edi explica
que, em razão da importância deste teste, existe um projeto
de lei para torná-lo obrigatório nas maternidades. “Mas está
ainda distante da realidade”, pondera. Para Abrantes, o trabalho
conjunto entre comunidade acadêmica e mercado é de grande
relevância para o desenvolvimento detecnologias que permitam
a utilização pela sociedade, propiciando melhor qualidade
de vida e bem-estar. “A surdez é o deficit sensorial mais
comum nos seres humanos. Por isso, devemos continuar no trabalho
de divulgação e conscientização da importância do teste de
surdez genética”, afirma Abrantes.
Ainda na área da saúde, outra
tecnologia da Unicamp absorvida pelo mercado foi desenvolvida
pelo professor Benedicto de Campos Vidal, do Instituto de
Biologia (IB). Licenciada para a empresa Silvestre Labs Química
e Farmacêutica Ltda, que a comercializa na área odontológica,
a tecnologia apresenta soluções de continuidade, como falta
de material ósseo, decorrente de uma patologia ou de uma intervenção
cirúrgica, e pode ser utilizada com aplicações na odontologia
e medicina, diminuindo o tempo cirúrgico e facilitando os
procedimentos operatórios.
De acordo com o diretor presidente
da empresa, Eduardo Cruz, o produto para enxertia óssea foi
lançadono mercado após a realização das etapas de ordem técnica/regulatória
e a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa). “A empresa utilizou a tecnologia como base para
desencadear diversas etapas que culminaram com a produção
de um enxerto ósseo, vendido hoje aos dentistas”, afirmou.
Eduardo ressalta a importância da parceria entre comunidade
acadêmica e empresa: “Agências de inovação como a Inova possuem
papel fundamental, pois servem de ponte para que a comunicação
e o relacionamento entre ambas as partes tenham qualidade
e eficiência”.
Inventores são premiados
Com o intuito de homenagear
docentes e pesquisadores da Unicamp com tecnologias transferidas
para a sociedade por meio de licenciamentos para empresas
e outras instituições, a Reitoria da Universidade e a Agência
de Inovação Inova Unicamp realizaram a quarta edição do
Prêmio Inventores Unicamp no último dia 30 de setembro,
no auditório do Conselho Universitário (Consu). Ao todo,
doze professores e uma unidade – o IB – foram premiados
em três categorias: Tecnologia Absorvida pelo Mercado, Tecnologia
Licenciada, e Destaque na Proteção à Propriedade Intelectual,
destinada ao instituto com o maior número de pedidos de
patentes realizados no ano.
Cinco pesquisadores
– Renato Grimaldi e os professores Lireny Aparecida Guaraldo
Gonçalves, Oswaldo Alves, Edi Sartorato e Benedicto de Campos
Vidal – inventores das quatro tecnologias já comercializadas,
receberam o prêmio de maior destaque na premiação – de Tecnologia
Absorvida pelo Mercado. Estes professores merecem mérito
especial, pois, de acordo com o professor Roberto Lotufo,
diretor-executivo da Inova, a procura de parceiros para
o desenvolvimento complementar das patentes da Universidade
e a celebração do contrato de licença de exploração são
apenas o início do processo para que a tecnologia se transforme
em inovação. “A tecnologia se torna um caso de sucesso quando
o produto é absorvido pelo mercado e chega à população e
ao cidadão”, afirma.
Outros seis professores
– Adilma Regina Pippa Scamparini, Daniel Barrera Arellano
e Fernando Antonio Campos Gomide, da FEA; Alexandre Xavier
Falcão, do IC; Leonardo de Souza Mendes, do FEEC; e Marcelo
Ganzarolli de Oliveira, do IQ, além de Vidal, Lireny e Grimaldi,
foram homenageados na categoria Tecnologia Licenciada, pelo
licenciamento do resultado de suas pesquisas no ano de 2010.
De acordo com a diretora
de propriedade intelectual e transferência de tecnologias
da Inova Unicamp, Patricia Magalhães de Toledo, os resultados
das pesquisas acadêmicas podem ter um impacto positivo e
abrangente na sociedade: “Diversos produtos que beneficiam
milhares de pessoas são resultados de tecnologias originadas
na pesquisa acadêmica, que foram licenciadas para empresas
e lançadas no mercado”, afirmou a diretora.
Já o reitor da Unicamp,
professor Fernando Costa, finalizou a cerimônia comentando
sobre o próximo desafio da Unicamp relacionado ao trabalho
de pesquisa e inovação: “O que produz grandes inovações
é a realização de um trabalho conjunto, geograficamente
próximo, entre pesquisadores de diversas áreas. Uma universidade
como a Unicamp possui potencial para contribuir com o progresso
da sociedade, especialmente quando se trabalha em áreas
conjuntas”, completou.
O Prêmio Inventores
Unicamp é realizado anualmente e a Agência disponibilizou
um blog com a memória do evento em: www.inova.unicamp.br/premioinventores
.
|
|