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Mentoria estreita laços entre
âmbito acadêmico e empresas
Iniciativas orientam alunos empreendedores
na consolidação e fortalecimento de startups
ADRIANA ARRUDA
Especial para o JU
Há atualmente uma tendência global de incentivo à formação
de startups, empresas recém-criadas ou em fase de constituição,
cujas atividades estão relacionadas à pesquisa e desenvolvimento
de ideias inovadoras e que tenham potencial de rápido crescimento.
Competições de empreendedorismo – fomentadas por investidores
e diversos atores do sistema de inovação – são cada vez mais
comuns e incentivam talentos a se tornarem empreendedores.
No entanto, ao entrar em contato com os desafios do mercado,
jovens empreendedores tendem a falhar por não terem conhecimento
sobre a realidade empresarial. Uma alternativa que potencializa
a vitalidade de aprendizado desses jovens por meio da oferta
de conhecimento e experiência é a mentoria empresarial. De
acordo com o diretor executivo da Agência de Inovação Inova
Unicamp, Roberto Lotufo, a mentoria é utilizada nas etapas
de criação e fortalecimento de startups e de reconhecimento
de novos empreendedores. “O modelo, ainda recente no Brasil,
aproveita a experiência de profissionais para ensinar aos
empreendedores menos experientes como começar um negócio de
sucesso”, afirma.
Com o objetivo de fortalecer a área de empreendedorismo e
estreitar laços entre a comunidade acadêmica e empresarial,
a Unicamp está cada vez mais alinhada com as iniciativas de
mentoria empresarial. Uma delas está atrelada ao contexto
do Desafio Unicamp de Inovação Tecnológica, competição de
modelo de negócios criada em 2011 e idealizada pela Agência
de Inovação Inova Unicamp. O intuito é estimular a criação
de negócios de base tecnológica a partir de tecnologias protegidas
da Unicamp (patentes e programas de computador). Durante os
quatro meses da competição, cada equipe é orientada por dois
mentores, sendo um da comunidade acadêmica e outro empresarial.
O sócio-fundador da Positron, Marcos Ferretti, foi um dos
mentores empresariais da competição: “Acompanhei a equipe
vencedora do Desafio durante todo o processo. Inicialmente,
o grupo escolheu uma patente da Unicamp com uma boa análise
de mercado”, relata.
O acompanhamento do grupo
foi realizado por meio de estudos e reuniões com Ferretti
e também com o mentor acadêmico, o professor Fernando Cabral.
“Em nossos encontros, ouvi as ideias para o modelo de negócios
da equipe e abordei questões básicas de custo e tempo, trazendo
a equipe para a realidade de mercado. O grupo teve contato
com distribuidores e fabricantes e até com concorrentes para
saber o custo de produtos semelhantes”, relata Ferretti. Da
mesma maneira, o professor Cabral colocou o grupo em contato
com outros profissionais de sua área, ampliando a rede de
contatos da equipe. Os alunos se aproximaram de empresas do
setor farmacêutico e de cosmético para fazer a validação de
seu modelo de negócios junto aos potenciais clientes. “Ao
longo da competição, alinhamos o modelo de negócios e abordamos
estratégias de marketing”, afirmou Ferretti. Com o auxílio
fundamental dos mentores, o grupo foi vencedor do Desafio
Unicamp e um dos três finalistas do Prêmio Santander de Empreendedorismo.
Outra
iniciativa bem-sucedida de mentoria implantada pelo Grupo
Unicamp Ventures com o apoio da Inova Unicamp é o Conselho
de Startups, que existe há dois anos. O Grupo Unicamp Ventures
é uma rede de relacionamento formada por empresários ex-alunos,
ex-professores e empreendedores que passaram pela Unicamp.
“O Conselho é um trabalho voluntário de aconselhamento e visa
apoiar e incentivar a atividade empreendedora”, afirmou Alexandre
Neves, presidente do Grupo Unicamp Ventures. Segundo Neves,
os conselheiros podem ser empreendedores, executivos ou investidores
interessados em disseminar sua expertise em empreendedorismo.
Em 2011, o Conselho somou 35 empresas e 34 conselheiros, sócios
e diretores de empresas filhas como Dextra, Ci&T e Movile,
além de conselheiros executivos de grandes empresas, como
Abril, Avanade, Anhembi Morumbi, Accenture e Siemens. Esses
conselheiros entram em contato com o Unicamp Ventures, que
faz a correspondência entre conselheiro e startup aconselhada,
de acordo com o perfil de ambos.
Promovendo um balanço dos
dois últimos anos, Neves afirma que a iniciativa obteve conquistas
fundamentais. “Além de criarmos um ecossistema de empreendedorismo
importante para a Unicamp e região, realizamos experiências
práticas de relacionamento empreendedor e obtivemos resultados
reais, como investimento de fundos em startups e a criação
da IVP – Inova Ventures Participações S.A, empresa de participações
tendo 48 empreendedores e investidores da região”, lembrou.
Para os próximos anos, o Conselho objetiva aumentar a maturidade
de startups e estabelecer um padrão de acompanhamento que
possibilite melhor colaboração entre os envolvidos. “É preciso
buscar formas de aumentar o comprometimento de todos, já que
é difícil manter uma estrutura de longo prazo baseada apenas
em doações”, opina Neves. Ainda de acordo com o presidente
da rede Unicamp Ventures, não há pré-requisitos para a escolha
das startups aconselhadas. “Buscamos saber se determinada
empresa tem um projeto suficientemente interessante para atrair
os conselheiros. No entanto, como temos mais empresas do que
conselheiros, há limitação”, afirmou.
Apesar das iniciativas já
existentes, o assunto da mentoria empresarial é pouco difundido
no Brasil. Pensando nessa lacuna, a Universidade pretende
ampliar sua rede de mentores – que atualmente conta com 67
profissionais – e aprimorar as técnicas de mentoria. “Buscamos
pessoas com conhecimento de planejamento estratégico, gestão
de empresas e da atividade empresarial em geral. A ideia é
que sejam profissionais voluntários, que doem tempo para aconselhar
jovens empreendedores a criar seu próprio negócio”, ressalta
Lotufo. Os interessados em fazer parte da rede de mentores
da Unicamp devem preencher as informações no portal www.inova.unicamp.br/unicampempreende.
Um cardápio de recursos
variados
A
importância da mentoria empresarial está cada vez mais sendo
reconhecida e acatada por empresas e institutos brasileiros.
Pensando nessa demanda atual, o instituto Empreender Endeavor
Brasil tem a atividade de mentoria fortemente instituída
em seu escopo de atuação. “O instituto apoia empreendedores
que tenham potencial de alto impacto e tem a missão de ‘antecipar’
grandes empresas, visando gerar empregos e renda”, afirmou
Fernanda Antunes, analista da Endeavor, no Fórum de Empreendedorismo
e Inovação com tema de Mentoria Empresarial, evento promovido
pela Agência de Inovação Inova Unicamp.
O instituto possui uma rede
de 245 mentores oficiais e engloba empresários, investidores,
advogados, executivos e consultores. “Em nossa didática,
um mentor pode aconselhar um empreendedor que, consequentemente,
irá transmitir essas informações para outros empreendedores
e implantá-las em seu plano de negócios. Por outro lado,
temos um sistema em que vários mentores conversam com o
empreendedor em outreach, a chamada plataforma web”, explicou
a analista. A Endeavor atualmente apoia 95 empreendedores
e 50 empresas. As empresas do instituto cresceram 60% e
geraram mais de 20 mil empregos ao longo dos anos. “Trabalhamos
com empreendedorismo de alto impacto e investimos na geração
de conhecimento, atualizando o site com artigos, promovendo
workshops e disponibilizando áreas de pesquisas”, acrescenta
Fernanda.
A Aceleradora, organização
que realiza gestão e capital semente para startups, também
investe no sistema de mentoria. Entre seus resultados, a
Aceleradora soma mais de 200 startups apoiadas com mentoria,
mais de 500 empreendedores capacitados e 30 fundos de investimento
em todo o mundo em sua rede de contatos. “Costumamos dizer
que a startup busca por um modelo de negócios escalável
em um ambiente de extrema incerteza”, afirmou Yuri Gitahy,
fundador da Aceleradora. Gitahy explica que, para atender
a todos, a equipe utiliza metodologias de acordo com a necessidade
de cada startup. “Realizamos palestras, meetups e mentoria.
As sessões podem ser presenciais ou remotas e, além disso,
damos acesso a investidores nacionais e internacionais parceiros
da Aceleradora”, explica. Ao longo do projeto, a Aceleradora
concede apoio a startups em áreas como marketing, vendas,
tecnologia, gestão, estratégia e jurídico. Em geral, o mentor
concede de 6 a 12 horas por ano para cada empresa.
Outros
modelos de mentoria explorados no Fórum de Empreendedorismo
e Inovação foram os da rede Artemísia, que trabalha com
modelos de negócios de impacto social. “A metodologia de
destaque é a Aceleradora de Impacto, programa voltado aos
empreendedores que possuam negócios em estágio inicial,
que são acompanhados durante nove meses”, explicou Maure
Pessanha, diretora da Artemísia. Ao longo dos meses, o programa
oferece acompanhamento jurídico e financeiro. Pessanha explica
que, em um primeiro momento do programa, há a organização
do encontro para o matching, que é a fase de correspondência
entre conselheiro e aconselhado, na qual são abordadas questões
de necessidades dos negócios e maneiras de torná-lo viável
para a sociedade. Em seguida, realiza-se o pitch de empreendedores
– como é tratada a apresentação dos aconselhados – e diversas
reuniões. “O mentor ouve, faz perguntas e abre portas para
os aconselhados. Além de beneficiar o empreendedor com sua
vasta experiência, a mentoria proporciona aos conselheiros
o contato com o novo e com a energia de quem está começando”,
afirma Pessanha.
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