A rede do futuro
Estudo analisa desempenho de
sistemas que utilizam pacotes ópticos

CARMO
GALLO NETTO
Sobrecarga decorrente do aumento
do tráfego na internet, segurança, acesso rápido, sinais persistentes
e que não escapam aos receptores mesmo móveis e imagens sem
distorção são alguns dos problemas que o usuário dos meios
de transmissão de dados, áudio e vídeo esperam resolvidos
no futuro, com o progresso das tecnologias. Esse futuro pode
não estar distante, conforme sugere tese apresentada na Faculdade
de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp,
pelo Departamento de Semicondutores, Instrumentos e Fotônica
(DSIF). O estudo desenvolvido por Indayara Bertoldi Martins,
que foi orientada pelos professores Felipe Rudge e Edson Moschim,
analisa o desempenho de redes ópticas avançadas que utilizam
pacotes ópticos de comutação fotônica.
Os atuais sistemas de comunicação
óptica são constituídos por redes de fibras ópticas em nível
interurbano e metropolitano. Nas redes de acesso, que conectam
o usuário à central telefônica, são utilizadas múltiplas tecnologias,
entre as quais, e mais recentemente, a fibra óptica. Além
disso, há a superposição de múltiplas redes de vários provedores
que precisam manter interconexão com essas redes, a exemplo
do que ocorre com as operadoras telefônicas. Para atender
à complexidade desse sistema de comunicação foram desenvolvidas
tecnologias específicas. Uma das tecnologias emergentes de
intersecção de sinais nos nós das redes envolve a comutação
fotônica, que permite o chaveamento e roteamento – separação
e encaminhamento – dos sinais ópticos sem necessidade de conversão
eletrônica, como ocorre atualmente.
Isso leva ao ganho de velocidade
e flexibilidade, além da redução de custos com equipamentos.
O trabalho, integralmente desenvolvido no Laboratório de Tecnologia
Fotônica (LTF) da FEEC, mostra que nesses nós há possibilidade
de roteamento do sinal óptico sem necessidade da conversão
óptico-elétrica. Disto resulta ganho de tempo, agilidade e
consequente ampliação da capacidade efetiva de transmissão,
além de maior qualidade e disponibilidade dos serviços.
Nesses projetos devem também
ser previstos estudos sobre as condições adversas de operação
das redes, tais como falhas de linha ou dos nós. Esta necessidade
determinou a verificação de como quebras de linha ou problemas
em um nó afetam a distribuição de tráfego de pacotes na rede.
Indayara enfatiza que se deteve
em investigar, por meio de simulação computacional no âmbito
de redes metropolitanas, o desempenho dessas redes ópticas
avançadas, usando tecnologia de Chaveamento de Pacotes Ópticos
(Optical Packet Switching – OPS), com arquiteturas
de redes baseadas em malha e em anel, e dos nós ópticos com
roteamento sem conversão opto-elétrica dos pacotes. O estudo
visou simplificar o caminho entre dois usuários finais da
rede óptica, objetivando conexão mais simples, mais rápida
e confiável.
As arquiteturas de redes metropolitanas
hoje são as de anel, para a rede tronco, e de estrela, para
rede de acesso do usuário. Assim, a rede tronco une as centrais
metropolitanas, e a rede de acesso liga o usuário às centrais.
Existe, porém, outra interconexão possível entre os nós, que
é a arquitetura em malha, à semelhança de uma rede de pesca.
Ela permite chegar de um nó a outro por diferentes caminhos,
oferecendo grande possibilidade de alternativas. Embora de
implantação mais cara, a rede em malha é mais segura, mais
robusta e de melhor solução para atender aos avanços tecnológicos
e às necessidades e exigências cada vez maiores dos usuários.
O professor Rudge destaca
a originalidade do trabalho de Indayara, que compara as alternativas
de anel e malha, utiliza chaveamento fotônico nos nós, estuda
como o conjunto se comporta para resolver problemas que já
existem e atende necessidades vislumbradas para o futuro.
Para tanto, a pesquisadora
verificou através de simulações computacionais desenvolvidas
no LTF o desempenho desse tipo de tecnologia e propôs modelos
de configurações que melhorassem parâmetros de qualidade e
fluxo de tráfego. “Estudamos então a capacidade desta arquitetura
de entregar dados ao cliente, mesmo quando ocorre uma falha
no sistema. Verificamos quais as alternativas que a rede pode
oferecer como mecanismos de proteção, que são os caminhos
de redundância. Constatamos que a estrutura de malha dispõe
de mais opções sem que haja sobrecarga excessiva em nenhum
caminho específico, com o tráfego de dados se redistribuindo
suavemente”.
Indayara explica que, ao
passar dos sistemas com conversão opto-elétrica para os sistemas
com roteamento óptico puro, o padrão de qualidade aumenta,
pois quanto menos etapas, conversões e processamentos de sinais,
maior a rapidez. A vantagem do novo sistema é o da utilização
apenas da camada óptica, embora sua implantação ainda esteja
no futuro e necessite de novas configurações dos nós e a demanda
de novos equipamentos.
O professor Felipe Rudge acrescenta
que a inovação esbarra na compatibilidade entre a nova tecnologia
e as que estão em uso. “Certas tecnologias não conversam diretamente
entre si. Muitas vezes são necessárias interfaces para essa
compatibilização. A comutação de sinais diretamente no plano
óptico constitue uma quebra de paradigma. Estamos propondo
uma tecnologia muito à frente, que ainda requer algum tempo
para implementação prática”.
Segundo o docente, existem
entretanto algumas soluções intermediárias, não tão radicais,
que começam a ser comercialmente implantadas em alguns países.
Elas compatibilizam inovações com tecnologias usuais, estabelecendo
uma interface entre os sistemas novos e os existentes”.
Desempenho
Constituiu objetivo geral
da pesquisa investigar a importância de novas tecnologia de
chaveamento fotônico, em especial OPS e OBS (packet switching
e burst switching), no comportamento dinâmico de
redes ópticas avançadas e analisar o desempenho de redes de
transmissão de dados quanto à confiabilidade, capacidade de
sobrevivência de transmissão e o estudo da compatibilidade
de tráfego para futuras convergências de redes wireless-fiber.
Focalizada em âmbito metropolitano,
mostra o desempenho de tráfego digital de alta capacidade,
que percorre as redes atuais, em várias configurações de redes,
levando em conta inclusive falhas, rupturas de enlaces e problemas
em nós. A tese trouxe um conjunto de contribuições originais
e relevantes, apresentadas em congressos nacionais e internacionais
– Espanha, França, Itália, Áustria, Australia, Nova Zelandia
e EUA – além de artigos submetidos a periódicos de prestígio.
Os pesquisadores alinhavam
algumas das conclusões mais significativas que extraem do
trabalho. Constatam que a configuração em malha é bem mais
robusta e oferece uma qualidade de serviços bem superior que
a de estrela. Entendem que o estudo apresenta alternativas
de soluções futuras de altíssima capacidade, ainda não demandadas
em uma série de usos e situações atuais. Eles consideram que
o processo aumenta a capacidade efetiva da rede, diminui o
tempo de espera, de atraso, e garante maior satisfação do
cliente, o que futuramente deve incentivar investimentos de
corporações. Além de tudo, garante o aumento de proteção contra
problemas físicos que podem ocorrer na rede.
Para os pesquisadores, o
estudo traz a contribuição em metodologia e em simulação com
base em sistemas realistas, passíveis de serem implantados.
Trata-se, segundo eles, de uma contribuição metodológica bastante
significativa e de simulação facilmente reproduzida. Rudge
mostra na tela do computador um diagrama obtido através da
simulação para um nó e uma montagem experimental em laboratório,
com os respectivos equipamentos demandados.
Indayara acrescenta: “Tivemos
a preocupação de pensar o futuro. Com a explosão de mercados
e de tecnologias, a tendência é que aumente substancialmente
o tráfego na internet e a nossa preocupação foi a de analisar
o comportamento desse fluxo para as redes existentes”. A pesquisadora
conclui que as exigências e necessidades futuras determinarão
investimentos e implantações de novas tecnologias. “Estamos
criando soluções para problemas reais e específicos apontando
para o futuro, embora o estudo ofereça desdobramentos para
aplicações imediatas”, afirma.
O trabalho foi totalmente
desenvolvido no Laboratório de Tecnologia Footônica (LTF),
concebido e criado há mais de doze anos pelo professor Edson
Moschim. Nele têm sido realizados trabalhos experimentais
e de simulação computacionais originais, de forma autônoma
e em cooperação com empresas e universidades nacionais e internacionais,
o que tem propiciado a contínua formação de profissionais
qualificados nas suas áreas de atuação.
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■ Publicação
Tese:
“Análise de desempenho e sobrevivência de redes ópticas convergentes
com chaveamento fotônico em topologias de anel e malha”.
Autor: Indayara Bertoldi Martins
Orientadores: Felipe Rudge Barbosa e Edson
Moschim
Unidade: Faculdade de Engenharia Elétrica
e de Computação (FEEC)
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